Esposende
Esposende é uma cidade portuguesa no Distrito de Braga, região Norte e sub-região do Cávado, com cerca de 9 100 habitantes. É sede de um pequeno município com 95,18 km² de área e 35 148 habitantes (2006), subdividido em 15 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Viana do Castelo, a leste por Barcelos, a sul pela Póvoa de Varzim e a oeste pelo Oceano Atlântico. O ponto mais elevado do concelho situa-se na Maceira, a 281 metros de altitude, na freguesia de Vila Chã.
Fão
Fão é uma freguesia portuguesa do concelho de Esposende, com 6,04 km² de área e 2 842 habitantes (2001). Densidade: 470,5 hab/km².Fão é conhecida por duas especialidades em pastelaria: as clarinhas e os folhadinhos . Nela se localiza a praia de Ofir. Fão possui a maior necrópole medieval da Península Ibérica
Cavalos de Fão
Há muito que faz parte do meu imaginário de viajante os designados “Cavalos de Fão”, pelo que instalado numa tranquila estalagem à beira do rio Cávado logo procurei saber de onde poderiam ser avistados. Junto ao amplo areal de Ofir, olhando o mar que recebe o desaguar do rio Cávado lá estavam eles bem perto da foz deste rio que partilha Esposende com o mar Atlântico.
É uma longa afloração rochosa natural, paralela ao areal e a uma distância significativa que fica somente visível em tempo de maré vaza que pela sua situação provoca em si a quebra da ondulação, por muito forte que seja, “adoçando” o mar desde da Praia da Apúlia, a sul, até à de Rio de Moinhos, mais a norte. Zona que as populações conhecem por “suave mar” e cuja designação já foi adoptada pelas entidades oficiais e de promoção turística.
É habitual, nestas circunstâncias, de um tão original acidente geográfico, que à sua volta tenha nascido uma lenda que a fértil imaginação das gentes e a força da tradição oral fizeram chegar aos nossos tempos. Aliás, não só uma lenda mas duas, quiçá muitas mais se bem procurarmos ouvir a voz do Povo.
A primeira, de cariz mais religioso, mítico até, recua aos tempos do Rei Salomão…
“A Lenda dos Cavalos de Fão e do Ouro de Ofir”
“Salomão quis dar cumprimento a um velho desejo de seu pai, o Rei David: construir o Templo do Senhor, em Jerusalém. Chegaram de todo o reino artífices hábeis em construir templos, em trabalhar a madeira e na arte de lavrar a pedra. Solicita a ajuda do Rei Irão da Fenícia que constrói uma frota, que atravessa o Mediterrâneo e sulca o Atlântico recolhendo madeiras exótica, com destaque para os cedros do Líbano. Não era suficiente a riqueza dos cedros do Líbano: faltava-lhes o ouro, a prata, as pedras preciosas. Diz a lenda que o bíblico “Ofir” existia na foz do Cávado. Seria dali que os navios fenícios, ao serviço do rei israelita, recolhiam suas cargas preciosas e as transportariam para Jerusalém. Quis o Rei Salomão mostrar a sua gratidão para com estes povos tão remotos, enviando-lhes como presente maravilhosos corcéis que no mundo melhor haviam. O destino, porém, não permitiu que tal acontecesse, arrebatada por uma medonha tempestade, a frota salomónica foi despedaçar-se de encontro à penedia e os famosos cavalos, por obra dos deuses, ficaram petrificados e eternamente cativos destas águas oceânicas, que ora acariciam, ora batem em espumosa fúria, tornando o mar da região um mar de sede, um “suave mar”.”
Outra lenda, essa de cariz mais bélico e de defesa da terra sua, conta assim…
“Em tempos remotos quando hordas de bárbaros vindos do norte da Europa invadiram a Ibéria na sua sede de destruição e conquista chegaram a terras de Fão que procuraram conquistar pelas notícias que lhes chegavam de serem locais de oiro e de prata abundantes. O Povo com poucos meios mas muita artimanha conseguiu empurrar os invasores que vinham montados em belos cavalos na direcção dos mares onde vieram a morrer afogados. Os cavalos, contudo, por intervenção divina, foram transformados em rochas talhadas à sua semelhança formando uma barreira de protecção do longo areal e onde ainda hoje se mantém, somente sendo visíveis em tempo de maré vazia.”